Neste 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, Dia Nacional de Tereza de Benguela, a comunidade quilombola de Barra de Aroeira, em Santa Tereza do Tocantins, celebra a força feminina. “São as mulheres que sempre estão na luta e são sempre as mulheres que encorajam os homens a lutar juntamente conosco”, afirma Natália Rodrigues Bispo do Nascimento Pereira, presidente da Associação Comunitária dos Quilombos de Barra de Aroeira (Abarra).
O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) visitou a comunidade para conhecer histórias de mulheres que transformam a luta e a liderança em compromisso diário. A data reforça a visibilidade do protagonismo negro e a promoção da igualdade racial e de gênero.
Natália, eleita presidente em maio com 186 votos, destaca os desafios enfrentados: “Ser negra não é fácil! Sofremos racismo verbal, racismo sobre a pele, cabelo, até pelo modo de como a gente fala ou convive”. Ela defende a empatia como caminho para uma sociedade mais igualitária.
Maria de Fátima Rodrigues, a Dona Andreza, primeira presidente da Abarra, relembra a luta pela titularidade da terra e pela escola que hoje leva o nome do primeiro professor da comunidade. “O que queremos é ser tratados como qualquer outra pessoa, com os mesmos direitos e oportunidades”, diz.
Lucycléia Fernandes Rodrigues, 26 anos, cursa quatro graduações e trabalha como técnica de enfermagem. “Os jovens precisam acreditar que a educação transforma”, afirma. As três gerações mostram que a história do quilombo segue sendo escrita por mulheres.
Dados do Justiça em Números indicam 15.438 processos criminais por racismo no Brasil, 97,2% na Justiça Estadual. O TJTO adota o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, do CNJ, para considerar o contexto racial nas decisões.